Washington — Deputados do Partido Democrata nos Estados Unidos criticaram duramente a decisão do governo de Donald Trump de emitir vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a membros de sua família, e exigiram explicações sobre se a administração americana teve papel na saída do congressista do Brasil.
O questionamento dos parlamentares ocorreu depois que uma autoridade do Departamento de Estado confirmou, em 27 de outubro de 2026, a concessão dos vistos. A nota do governo americano, porém, não informou qual categoria de visto foi autorizada nem se houve pedido formal de proteção internacional.
Flávio Bolsonaro, derrotado na disputa presidencial brasileira, deixou o país mesmo após o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinar a entrega do passaporte comum e do diplomático, medida que o proibia de viajar. A Polícia Federal havia solicitado a apreensão dos documentos ao identificar risco concreto de fuga. Segundo relatos, o senador desembarcou na manhã de quarta-feira (28.out.2026) em Miami; sua saída do Brasil teria ocorrido por meio de um voo particular com escala na Argentina.
Parlamentares da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes compararam o acolhimento dispensado a Bolsonaro às restrições impostas a cidadãos que procuram proteção por conflitos, como no Sudão e no Haiti, e classificaram a ação do governo como um tratamento desigual. Em postagem oficial, o colegiado afirmou: “Não há asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio estende o tapete vermelho para Bolsonaro” — menção ao secretário de Estado Marco Rubio.
O deputado Joaquin Castro (Texas) ironizou a justificativa para a entrada de Bolsonaro: “Perder uma eleição não é motivo para asilo”, escreveu nas redes sociais, e acrescentou que a administração precisa prestar esclarecimentos ao Congresso sobre seu possível papel em facilitar a saída do senador, o que, segundo ele, poderia configurar violação da legislação brasileira.
Outro integrante democrata, Shri Thanedar (Michigan), afirmou que Bolsonaro estaria tentando escapar de investigações no Brasil referentes a suspeitas de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e criticou a opção por fugir em vez de enfrentar os procedimentos legais.
Questionado sobre o caso na noite de terça-feira (27), o presidente Donald Trump disse que aprovaria a concessão de entrada ao senador. “Acho que são pessoas decentes. As eleições foram realmente estranhas. Estaria tudo bem para mim”, afirmou o republicano, reforçando dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro sem apresentar evidências.
O Departamento de Estado, conforme informado, não detalhou a natureza dos vistos concedidos nem confirmou se houve solicitação por meio de mecanismos de proteção internacional, como asilo ou status humanitário. A postura do governo norte-americano motivou pedidos formais de prestação de contas por parte de democratas no Congresso.
O episódio intensifica o debate sobre critérios de concessão de vistos e sobre como interesses políticos podem influenciar decisões migratórias e de proteção, ao mesmo tempo em que reacende tensões diplomáticas entre autoridades brasileiras e americanas em relação às investigações que envolvem o senador.
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