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União Brasil e PP anunciam apoio a Davi Alcolumbre para presidência do Senado e enfraquecem Tereza Cristina

União Brasil e PP anunciam apoio a Davi Alcolumbre para presidência do Senado e enfraquecem Tereza Cristina

Brasília — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recebeu nesta terça-feira (27.out.2026) o apoio formal das lideranças do União Brasil e do Progressistas (PP) para disputar a reeleição ao comando da Casa, em movimento que busca reduzir o espaço da senadora Tereza Cristina (PP-MS).

A iniciativa, porém, provocou dissensos nas bancadas: parte dos integrantes do PP não concordou com a adesão. A direção dos dois partidos divulgou uma nota assinada pelos presidentes Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda (União Brasil) afirmando que a manutenção da aliança garantiria “estabilidade institucional e equilíbrio político” necessários para avançar pautas de interesse da população.

Tereza Cristina manteve sua candidatura e reagiu em nota, lembrando que a eleição para a Mesa será realizada em fevereiro e será definida “pelo voto livre, soberano e secreto de cada um dos 81 senadores”. Ela disse que seguirá recebendo colegas, com destaque para as 12 novas integrantes da bancada feminina.

Entre os senadores do PP há vozes contrárias à reeleição de Alcolumbre, como Guilherme Derrite (SP) e dr. Hiran (RR). Rogério Marinho (PL-RN), também candidato ao cargo e ligado ao grupo que apoiou Flávio Bolsonaro, avaliou que a posição formal de União Brasil e do PP não necessariamente refletirá a opinião de todas as bancadas.

A estratégia de Alcolumbre, segundo aliados, tem o objetivo de esvaziar adversários e ampliar apoio no centro, para reduzir a penetração de siglas mais à direita, como o PL, que ampliou sua bancada na eleição. O presidente do Senado vem se mobilizando desde a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem conversado com líderes partidários para costurar o apoio.

O chefe do Legislativo também tem o respaldo de partidos como PT, MDB e PSD, e deve receber oficialmente a adesão de União Brasil e PP. Ainda assim, aliados reconhecem que o quadro é complexo: senadores são donos de seus mandatos e podem negociar individualmente o voto, que será secreto. Alcolumbre estimou poder atingir até 48 votos considerando eventuais defecções; aliados projetam um piso de 43, enquanto o mínimo necessário para ser eleito é 41.

Na conjuntura criada pelo resultado do segundo turno, líderes do centrão passaram a ver Alcolumbre como um nome mais apto a manter diálogo com o governo; Tereza Cristina, que fez campanha por Flávio Bolsonaro, perdeu força entre parte do centrão. Paralelamente, Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e agora eleito ao Senado, articula-se para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no próximo biênio.

O apoio público de Ciro Nogueira à candidatura de Alcolumbre foi anunciado apesar de resistências internas no PP. Integrantes do partido afirmam que a adesão obedece a uma lógica de preservação política: Nogueira, que não obteve reeleição e deixará o cargo em fevereiro, enfrenta investigação da Polícia Federal relacionada a relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O cenário entre as bancadas de direita permanece fragmentado. A campanha anti‑STF foi um eixo que ajudou a aumentar cadeiras desse bloco no Senado, e figuras como Flávio Bolsonaro pressionaram por processos de impeachment contra ministros do Supremo, em especial Alexandre de Moraes — uma pauta criticada por opositores de Alcolumbre, que o acusam de travar procedimentos nesse sentido.

Na distribuição das bancadas, o PL terá 29 senadores, aos quais se somam três parlamentares do Novo; segundo a reportagem, os dois senadores do Amapá (PSD e Podemos) não apoiarão determinado candidato mencionado nas negociações internas. Tanto defensores de Tereza Cristina quanto de Marinho afirmam que receios de retaliação política podem influenciar votos, enquanto aliados de Alcolumbre argumentam que o caráter secreto da votação reduz essa possibilidade.

Senadores eleitos pelo PP devem se reunir com Alcolumbre na tarde de quarta-feira (28.out.2026) para ouvir as propostas do presidente do Senado antes da definição das candidaturas na sessão de escolha da Mesa Diretora, prevista para fevereiro.

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via Folha de São Paulo

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