A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que, às 22h50 de terça-feira, 27 de outubro, o senador Flávio Nantes Bolsonaro (PL-RJ), sua esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e as filhas Carolina e Luiza Figueira Bolsonaro ingressaram no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Segundo o órgão, todos apresentaram documentação válida e não houve impedimento legal para a entrada.
Pouco depois, por volta das 23h30, a comitiva teria embarcado em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, no Equador. Plataformas de rastreamento de tráfego aéreo registraram a aeronave — um Gulfstream G400 com matrícula LV-JQW — pousando no Equador pouco antes das 6h do dia 28 de outubro.
O piloto e observador de voos Mauro Mattosinho afirmou que o plano de voo previa escala em Guayaquil para reabastecimento. De acordo com ele, embora o Gulfstream tenha autonomia para voos diretos mais longos, a rota escolhida evitou o espaço aéreo brasileiro e, por isso, demandou maior consumo de combustível. Mattosinho também relatou que, na véspera, o nome de Flávio Bolsonaro constava em uma lista de passageiros vinculada à operação.
Fontes que acompanharam o deslocamento por ferramentas como o Flight Radar registraram grande interesse público: quase 4.000 pessoas acompanhavam o voo ao vivo por volta das 5h30. A aeronave, segundo relatos, permaneceu na pista até aproximadamente 0h20 de quarta-feira (28/10), quando então decolou.
A Baires Fly não respondeu de imediato sobre o fretamento da aeronave.
Veículos de mídia argentinos noticiaram que Flávio Bolsonaro esteve em Porto Iguaçú (Misiones) até o início da madrugada desta quarta, e houve registros da chegada de uma van branca ao aeroporto local no fim da noite de terça, cuja ocupação não pôde ser identificada.
No plano político e diplomático, a movimentação ocorre dias após a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de domingo, 25 de outubro, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em gravação divulgada na segunda-feira, 26 de outubro, o senador afirmou que não daria sequência a pedidos de anulação do pleito, reclamou da ordem do ministro Alexandre de Moraes para entrega de passaportes e disse que permaneceria no Brasil para liderar a oposição.
O coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), disse não saber o paradeiro do candidato. Aliados chegaram a cogitar que ele teria buscado os Estados Unidos em busca de asilo.
Na noite de terça, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump declarou que apoiaria a entrada de Flávio Bolsonaro no país, embora tenha afirmado desconhecer o seu paradeiro no momento. Paralelamente, uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano confirmou que o governo americano concederia vistos a Flávio e aos seus familiares, autorizando a entrada e permanência nos Estados Unidos.
No plano judicial e administrativo local, a deputada argentina Marcela Pagano apresentou uma denúncia ao Ministério Público Federal de Porto Iguaçú para que sejam investigados os fatos relacionados à suposta entrada do senador na Argentina e a eventual operação para sua transferência ao exterior. Pagano afirmou que, se a entrada ocorreu de fato, é necessário apurar quem permitiu o trânsito e garantir que procedimentos legais sejam respeitados.










