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Ministério da Fazenda autoriza garantia do Tesouro para empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios

Ministério da Fazenda autoriza garantia do Tesouro para empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios

Brasília, 27 de outubro de 2026 — Por Idiana Tomazelli

O Ministério da Fazenda aprovou nesta terça a concessão da garantia do Tesouro Nacional a um novo empréstimo de R$ 7 bilhões solicitado pelos Correios em setembro. O despacho, assinado pelo ministro Dario Durigan, será publicado no Diário Oficial da União na quarta-feira (28).

Com a garantia soberana, a União responderá pelos pagamentos caso a estatal não honre a dívida, o que torna a operação mais atrativa para os bancos participantes. A operação foi negociada com um sindicato formado por quatro instituições privadas: Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan.

O custo do empréstimo foi fixado em 114,84% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) — índice de referência do mercado financeiro —, equivalente a aproximadamente 16% ao ano.

A previsão é que R$ 5 bilhões sejam liberados no momento da assinatura do contrato, prevista para ocorrer nos próximos dias, e os R$ 2 bilhões restantes sejam desembolsados até dezembro de 2026.

O crédito integra o plano de reestruturação dos Correios e vem acompanhado de cláusulas contratuais semelhantes às do primeiro empréstimo com garantia do Tesouro. Entre as exigências estão esforços da empresa para viabilizar um aporte da União de ao menos R$ 6 bilhões até o fim de 2027 — valor já previsto no Orçamento — e a quitação integral do contrato em caso de futura privatização da companhia.

O prazo do financiamento será de 15 anos, com carência de três anos sem pagamento de parcelas, seguindo o mesmo formato adotado na operação anterior. Pelo limite definido pelo Tesouro, o custo máximo permitido para esse tipo de crédito é de 120% do CDI.

Contexto e trâmite de controle

O pedido formal dos Correios foi registrado em 3 de setembro, poucos dias depois de a empresa divulgar perda de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 — resultado inferior ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado em igual período de 2025 e também abaixo dos R$ 3,16 bilhões verificados no primeiro trimestre de 2026.

O novo pedido seguiu o rito de avaliação: aprovação inicial no comitê de garantias no fim de setembro, análise das cláusulas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e última validação no gabinete do ministro da Fazenda antes da concessão formal da garantia.

Após questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo do primeiro empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no final de 2025, o Tesouro convidou auditores do tribunal a acompanhar os passos da nova operação. Em maio, o TCU havia apontado irregularidades na tramitação do primeiro crédito, conclamando abertura de apuração que poderia levar a responsabilizações internas; o governo recorreu da determinação.

O convite para o acompanhamento tem caráter informativo sobre as decisões técnicas (desde a análise no comitê de garantias até a revisão das minutas contratuais) e não configura uma auditoria formal da operação.

Histórico financeiro e negociações com bancos

Em dezembro de 2025 os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões com a garantia do Tesouro, em conjunto com cinco bancos (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander). Na ocasião, a taxa ficou em 115,13% do CDI.

Registros públicos indicam que, em 17 de junho, representantes da área financeira dos Correios se reuniram com Deutsche Bank, Citibank, J.P. Morgan e ABC para discutir as condições da nova operação. Fontes ouvidas sob reserva dizem que os bancos aceitaram participar não apenas por conta da garantia soberana, mas também pela confiança nos números do plano de reestruturação apresentados pela estatal.

O diagnóstico inicial da atual gestão apontava necessidade total de R$ 20 bilhões para estabilizar a empresa; posteriormente, a própria companhia informou ao Tesouro que essa estimativa foi reduzida para R$ 19 bilhões, em razão de melhoria na posição de caixa.

Política e calendário

A conclusão da operação esteve pronta logo após o primeiro turno das eleições, mas a Fazenda decidiu aguardar o término do pleito para liberar o aval soberano. O socorro federal aos Correios foi tema de disputa política durante a campanha eleitoral, usado pelo então candidato adversário para criticar o governo.

Próximos passos incluem a assinatura do contrato e a efetiva liberação dos recursos conforme o calendário já definido.

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via Folha de São Paulo

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