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Inquérito no STF investiga ligação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem envolvendo apostas

Inquérito no STF investiga ligação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem envolvendo apostas

São Paulo — A Polícia Federal remeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito que apura indícios de lavagem de dinheiro relacionados a operações de apostas e que aponta vínculo entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a PF intimou Flávio a entregar seus passaportes — o comum e o diplomático — e determinou que ele não deixe o país. Moraes também proibiu o senador de manter contato com Willer.

Willer Tomaz é alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante a operação, as autoridades apreenderam o celular do advogado; a análise do aparelho e de arquivos em nuvem teria mostrado movimentações financeiras atípicas ligadas a plataformas de apostas, participações em holdings no exterior e empresas com sócios de fachada.

Entre os materiais encontrados, segundo a investigação, havia fotos e documentos pessoais do senador e referências a festas, encontros e reuniões entre os dois. Os investigadores também verificaram que Willer e Flávio se comunicavam por meio do aplicativo Confide, que apaga mensagens após a visualização; Flávio aparecia entre os contatos favoritos do advogado.

A PF identificou ainda laços financeiros e logísticos entre as famílias dos dois: passagens pagas por uma empresa chamada Cathedral Holding, com sede em Portugal, cuja maioria das ações é atribuída a Willer e a parentes do advogado. A Cathedral é a única acionista da Rede Loto, controladora da casa de apostas BestBet.

Documentos analisados pelos policiais apontam que Flávio teve, em determinado momento, acesso de “usuário master” a uma conta bancária da Alcazar Holding, registrada na Ilha da Madeira, o que lhe daria controle amplo sobre movimentações. Segundo a PF, a exclusão do senador como usuário dessa conta foi solicitada em maio de 2025. Com base nesses elementos, os investigadores levantam a hipótese de que Flávio poderia exercer participação econômica ou societária de fato na Alcazar — e, por consequência, ser sócio oculto da BestBet.

Reportagens anteriores, citadas pelos investigadores, indicam a possibilidade de que a Cathedral tenha financiado a Alcazar. A relação entre Flávio e Willer, conforme registros, remonta pelo menos a 2019.

Em resposta às revelações sobre viagens pagas pela Cathedral, a campanha do senador declarou que a ligação entre os dois era de amizade, classificou as suspeitas como infundadas e as atribuiu a motivação eleitoral. A assessoria de Willer afirmou que as empresas e participações do advogado são legais, constam em registros públicos e foram informadas na declaração de Imposto de Renda.

Além deste inquérito, Flávio também é investigado em outro procedimento que apura um pedido de recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Nesse inquérito, ele é investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Contexto processual: com a derrota nas eleições presidenciais, Flávio não obteve a imunidade temporária que teria um mandato presidencial. Ao deixar o Senado em fevereiro, perderá ainda o foro especial; até lá, parte das apurações com foro no STF segue sob a relatoria de ministros da Corte.

O envio do inquérito ao STF formaliza a apuração sobre eventual ligação societária e financeira entre o senador e o advogado investigado, mas não constitui prova de culpa. O procedimento deverá reunir provas e, se for o caso, poderá resultar em novas medidas judiciais conforme o andamento das investigações.

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via Folha de São Paulo

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