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Aliados afirmam que Flávio Bolsonaro partiu para os EUA após derrota eleitoral

Aliados afirmam que Flávio Bolsonaro partiu para os EUA após derrota eleitoral

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmam que ele já deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, em uma saída que teria sido organizada dois dias após a derrota na eleição presidencial para Lula. Segundo essas fontes, o voo deve pousar nas próximas horas. O senador, segundo interlocutores, está incomunicável.

De acordo com aliados que dizem ser contrários à iniciativa, o plano foi montado e viabilizado por um advogado próximo ao grupo familiar Bolsonaro. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, negou inicialmente a versão de que o político havia deixado o país.

Fontes ouvidas afirmam que a decisão de sair do Brasil foi tomada na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, após o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinar a apreensão dos passaportes brasileiro e italiano do senador — que tem cidadania italiana. Na terça-feira (27.out), a Polícia Federal cancelou o passaporte brasileiro de Flávio por descumprimento da decisão judicial; o documento italiano, segundo as informações, segue válido. A PF emitiu um alerta para reforçar a fiscalização nas fronteiras.

Apesar de não ter reconhecido publicamente a derrota para Lula, Flávio Bolsonaro desistiu de protocolar ação pedindo a anulação do pleito em razão do prolongamento do horário de votação no domingo: apenas 0,03% dos votos foram registrados no período extra de duas horas, autorizado pela Justiça devido à falta de transporte em algumas cidades.

O caminho exato da viagem é incerto. Aliados relatam que ele saiu a partir da Argentina, mas não por Puerto Iguazú — local onde um jato executivo Gulfstream constava com o nome de Flávio na lista de passageiros, embora a aeronave não tenha decolado daquele aeroporto. O governo do presidente Javier Milei disse não ter registro de entrada do senador no território argentino; se a viagem ocorreu, as fontes avaliam que poderia ter sido feita de forma clandestina ou por rota alternativa.

Há a hipótese, segundo esses interlocutores, de que Flávio se reúna na Flórida com o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde o ano passado e foi condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Eduardo tem atuado no exterior em articulações políticas junto a aliados norte-americanos.

Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos criminais em tramitação, que investigam suspeitas de lavagem de dinheiro e outros crimes relacionadas ao caso do Banco Master e a desvios no INSS. Ao deixar o mandato de senador pelo Rio de Janeiro em fevereiro de 2027, ele perderá o foro por prerrogativa de função no STF.

Contexto familiar: o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por atos relacionados à tentativa de golpe após as eleições de 2022, já buscou alternativas para escapar ao alcance da Justiça — passou dois dias na embaixada da Hungria em Brasília em 2024. Na época, o primeiro-ministro daquele país era Viktor Orbán.

Autoridades e interlocutores seguem tentando confirmar a localização de Flávio e a rota seguida. A Polícia Federal informou ter reforçado rastreamento nas fronteiras, mas aliados consultados disseram que a operação de saída teria sido planejada para reduzir a possibilidade de interceptação.

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via Folha de São Paulo

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