Itabirito (MG), cidade de 56,8 mil habitantes situada no Quadrilátero Ferrífero, concentrou a maior reversão percentual de votos válidos em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 45,57% dos votos válidos em Itabirito, ante 41,04% obtidos por Lula (PT). Três semanas depois, no segundo turno, a votação no município mudou: Lula alcançou 52,49% contra 47,51% de Flávio, configurando a maior virada percentual do país.
O resultado local traduz, na opinião de analistas eleitorais e moradores, a virada mais ampla ocorrida em Minas Gerais, único estado em que o candidato do PT recuperou a frente na disputa nacional. No estado, Lula teve 50,43% dos votos válidos no segundo turno, ante 49,57% do senador.
O presidente foi reeleito no domingo, 25 de outubro de 2026, para um quarto mandato inédito. No panorama nacional, a diferença final favorável a Lula foi de 4,43 milhões de votos.
Na cidade, relatos coletados entre eleitores mostram perplexidade diante da mudança rápida. Geraldo de Barros Fernandes, 59, conhecido como Gegê do Táxi, disse não entender o que levou ao resultado e defendeu a anulação do pleito, citando como motivo a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação. Segundo levantamento com base em registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, apenas 34.330 votos foram registrados após as 17h no domingo — o equivalente a 0,03% do total de votos.
Outros moradores explicam escolhas por razões diversas. Cristian Alves dos Reis, 27, afirmou ter optado por Lula nos dois turnos por temer privatizações de serviços que considera essenciais, e disse que, embora tenha votado em Jair Bolsonaro em 2022, hoje se arrepende daquela escolha. Já Lúcia Braga, professora de educação especial de 47 anos, contou que votou em Lula em 2022, mas preferiu Flávio Bolsonaro nas duas etapas desta eleição, e descreveu a reviravolta como “estranha”.
Creusa Maria Reis, 64, apoiadora de Flávio que deixou de votar em ambos os turnos, e Elaine Teixeira, 40, que anulou no segundo turno após votar em Augusto Cury (Avante) no primeiro, manifestaram descrença com a oferta eleitoral atual e com a rapidez da mudança nos resultados.
A cidade também registrou atos públicos em apoio aos dois presidenciáveis durante a campanha do segundo turno, e representantes de ambos os campos conseguiram mobilizar público local, segundo testemunhos.
Especialistas veem em Itabirito um exemplo local da reconfiguração da votação em Minas Gerais, estado estratégico para o resultado nacional. Para muitos eleitores ouvidos, fatores que vão de avaliações sobre políticas sociais e econômicas a posicionamentos religiosos influenciaram escolhas distintas entre as duas fases do pleito.
Em meio a relatos de surpresa e pedidos de esclarecimento por parte de eleitores contrários ao resultado, as autoridades eleitorais mantêm os números validados pelo TSE como referência para a conclusão do processo.











Um comentário