Brasília — A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (27.out.2026) um convite para que a lobista Roberta Luchsinger preste esclarecimentos sobre as investigações que miram a ela e a Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O requerimento ao qual a comissão deu encaminhamento foi apresentado pelo deputado Sanderson (PL-RS), integrante da oposição. No documento, o parlamentar afirma ser necessário ouvir Luchsinger diante das alegadas “ameaças de morte, coação, intimidação e tentativas de silenciamento” que a lobista teria sofrido.
Trecho do pedido acrescenta que “a gravidade dessas afirmações recomenda que sejam esclarecidas, perante esta comissão, as circunstâncias em que os fatos teriam ocorrido, a natureza das ameaças, a eventual identificação de seus autores, as medidas de proteção adotadas e a existência de registros, comunicações ou outros elementos que possam contribuir para a atuação das autoridades competentes”.
O convite foi aprovado de forma simbólica — sem votação nominal — em sessão que durou menos de 15 minutos. Por se tratar de um convite, a presença de Luchsinger não é obrigatória.
A assessoria da lobista e o advogado Roberto Podval foram procurados por mensagem para saber se ela pretende comparecer à comissão; não havia resposta até a publicação deste texto.
Luchsinger e Fábio Luís são alvos de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de corrupção e tráfico de influência. A Polícia Federal apura, entre outros pontos, a hipótese de que os dois mantiveram uma sociedade oculta em negócios; as defesas negam irregularidades.
Em 17 de outubro, em entrevista à CNN Brasil, Roberta Luchsinger afirmou que pretende buscar um acordo de delação premiada para não responder sozinha pelos atos apurados. “Eu não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade, doa a quem doer”, declarou. “Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente.”
Segundo o pedido apresentado por Sanderson, Luchsinger poderia também oferecer informações sobre investigações que envolvem o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além de elementos relativos a Lulinha.
Os inquéritos que atingem a lobista e o filho do presidente foram abertos a partir de elementos obtidos em buscas e quebras de sigilo vinculados à Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Sobre a possibilidade de delação premiada: para ser homologada, a colaboração precisa ser considerada útil pelas autoridades. Isso exige que a pessoa colaboradora confesse crimes e entregue informações e provas que agreguem ao trabalho da Polícia Federal e/ou do Ministério Público Federal. As equipes responsáveis costumam exigir dados de corroboração e informações inéditas, não alcançadas por outras diligências, para evitar que a colaboração sirva apenas para reduzir penas sem aporte probatório substancial.
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