O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) divulgou um vídeo no início da tarde desta terça-feira, 27 de outubro de 2026, poucas horas após a circulação das primeiras notícias de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) estaria deixando o país rumo aos Estados Unidos. Na mensagem, Tarcísio afirmou repetidas vezes que “a eleição passou” e defendeu a construção de um “projeto de país”.
Segundo a agenda oficial, Tarcísio permaneceu em Brasília na manhã desta terça e só retornou a São Paulo no fim da tarde; sua programação oficial constava vazia na segunda e na terça. O vídeo não faz referência direta à decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o território nacional.
O governador disse que reconhecer o resultado eleitoral não significa ficar em silêncio sobre excessos ocorridos durante a disputa. “A eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria, de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão. De um país que não gaste mais com juros da dívida do que com saneamento básico, saúde e educação”, afirmou. “Esse desejo tem nome, chama-se Projeto de país.”
Tarcísio também afirmou que episódios como o uso da máquina pública, o lançamento de programas fora do prazo e a interferência do Judiciário marcaram a eleição e devem servir de lição. “Agora é hora de unidade, de uma oposição vigilante que cobre responsabilidade fiscal, que proponha aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos”, declarou.
No domingo, 25 de outubro, durante a votação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação, decisão endossada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques. Tarcísio gravou então um vídeo em que não contestou a medida, mas pediu que seus fundamentos e execução fossem explicados de forma clara: “Uma decisão tomada a poucos minutos do encerramento da votação, prorrogando o horário até às 19h, exige explicações claras sobre seus fundamentos e sua execução”, disse, acrescentando que o país “merece respeito, transparência e segurança jurídica”.
Na segunda-feira, principais apoiadores do governador em São Paulo haviam reconhecido o fim do pleito, antes de uma ação da Polícia Federal que intimou o senador Flávio Bolsonaro a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Em comunicado, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o processo eleitoral havia terminado e desejou que o novo governo “recupere a economia” e conduza a nação visando à harmonia.
O vice-governador do Estado, Felício Ramuth (MDB), publicou críticas ao PL por questionar o processo eleitoral. Ramuth ressaltou que o total de votos registrados após as 17h foi insignificante diante da diferença entre os candidatos e avaliou que, se havia dúvidas sobre a prorrogação, o mais coerente seria questioná‑las antes da apuração e não após a confirmação do resultado.
Até o fim do ano passado, Tarcísio era visto por setores do centrão e por agentes do mercado como um potencial candidato à Presidência. Em dezembro, quando Flávio Bolsonaro anunciou que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), seria o nome do bolsonarismo na disputa presidencial, o governador passou a focar na reeleição em São Paulo.
Aliados chegaram a tratar a campanha de 2026 como um primeiro degrau para uma eventual candidatura em 2030, embora mantivessem discrição para evitar atritos com Flávio Bolsonaro. Tarcísio afirmou reiteradamente que seu plano era permanecer no governo paulista; em outubro, durante um evento no clube Monte Líbano, Flávio disse que o governador teve expectativa de disputar a Presidência, mas que o plano não se concretizou porque Jair Bolsonaro foi escolhido como candidato.
Imagem relacionada: Tarcísio de Freitas votou no Colégio Cervantes, na zona sul da capital paulista, durante o segundo turno das eleições (25.out.2026).
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