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Rota sem registros de Flávio Bolsonaro em Foz do Iguaçu alimenta teorias e pressiona Polícia Federal

Rota sem registros de Flávio Bolsonaro em Foz do Iguaçu alimenta teorias e pressiona Polícia Federal

A ausência de controles oficiais sobre o trajeto percorrido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) desde sua residência em Brasília até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, intensificou especulações sobre como ele deixou o país e passou a colocar pressão sobre a Polícia Federal para apresentar respostas que ainda não foram obtidas.

Autoridades argentinas afirmam que Flávio e familiares cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27.out.2026) e embarcaram em um jato particular rumo ao Equador às 23h30. Relatos locais e levantamentos jornalísticos, porém, deixam em aberto o que aconteceu entre as 17h de segunda (26.out.2026) — horário em que o senador publicou um vídeo dizendo ter sido intimado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes a entregar o passaporte e garantir que não fugiria — e a travessia da fronteira.

Na investigação, policiais federais têm focalizado diversas possibilidades, sem provas conclusivas até o momento, incluindo:

  • deslocamento por via terrestre até pontos de embarque privados na região;
  • uso de pistas ou aeródromos particulares nas imediações da fronteira;
  • um eventual voo direto a partir de Brasília ou do Rio de Janeiro para cidades argentinas, hipótese que, se comprovada, colocaria em dúvida a cronologia divulgada pela imigração argentina;
  • apoio logístico ou de comunicação do governo argentino — hipótese citada em especulações e sem comprovação.

Delegados consultados pela reportagem disseram ter identificado apenas um voo executivo procedente de Brasília dentro da janela em que Flávio teria chegado a Foz, mas afirmaram que, segundo um dos agentes, aquela aeronave não pertencia à família do senador. O acesso ao terminal executivo do aeroporto exige transitar pelo saguão dos voos comerciais e parte do embarque é feito em sala conectada à pista, áreas cobertas por câmeras.

Os investigadores mapearam três aeródromos particulares próximos à fronteira como possíveis pontos de interesse: um na própria Foz do Iguaçu, outro em Santa Terezinha de Itaipu e o terceiro em São Miguel do Iguaçu. Também são apuradas pistas e informações em Cascavel, a 142 km de Foz do Iguaçu.

Na cidade, moradores e comerciantes relataram versões variadas sobre a passagem do senador. Uma das hipóteses mais divulgadas, divulgada por um canal de TV argentino, é de que ele e a família teriam permanecido em uma fazenda da região antes de cruzar a fronteira. O entorno do aeroporto concentra propriedades rurais, algumas convertidas em hotéis-fazenda ou parques com estrutura de lazer e acesso por estradas de terra em boas condições.

Outra imagem difundida na imprensa argentina mostra uma van de uma agência de turismo brasileira como suposto transporte usado pela família. A empresa publicou um story no Instagram negando o transporte, afirmando que o veículo estava no local para atender a outros passageiros. A reportagem verificou que o endereço cadastrado da empresa na Receita Federal, no bairro Portes, em Foz do Iguaçu, não corresponde ao funcionamento do negócio.

Sobre registros migratórios, a Polícia Federal informou que não há registro oficial de saída do congressista pelos postos de controle migratório brasileiros. Em fiscalização feita pela reportagem, por volta das 17h de quarta-feira (28.out.2026), o posto de controle brasileiro não registrou a fiscalização de nenhum veículo; a checagem de entrada no país foi realizada pela Argentina.

Em nota, a corporação ressaltou ainda que, diante da ausência de medidas cautelares impostas pela Justiça, não tinha autoridade para prender ou vigiar permanentemente o senador antes do ponto de saída do território nacional. Segundo a PF, restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não caracterizam situação de foragido nem autorizam prisões ou outras medidas cautelares.

O episódio reacendeu lembranças da utilização de rotas pela fronteira por aliados do bolsonarismo: a cidade já foi apontada como rota usada por Carla Zambelli para deixar o país — ela está atualmente na Itália — e foi mencionada em relatos sobre a fuga e captura de outras figuras que buscaram sair do Brasil por vias internacionais.

Nas urnas, Flávio Bolsonaro obteve 63% dos votos válidos em Foz do Iguaçu no segundo turno, o que contribui para a intensa repercussão local. Enquanto as lacunas na sequência de deslocamentos persistem, a pressão por respostas formais à investigação federal e por aclarecimentos definitivos sobre a rota até Puerto Iguazú segue crescente.

Resumo cronológico conhecido:

  • 26.out.2026, 17h — publicação de vídeo por Flávio afirmando ter sido intimado por Alexandre de Moraes a entregar o passaporte e a assegurar que não fugiria;
  • 27.out.2026, 22h50 — governo argentino informa travessia da Ponte Tancredo Neves por Flávio e familiares;
  • 27.out.2026, 23h30 — embarque em jato particular com destino ao Equador, segundo autoridades argentinas;
  • 28.out.2026, por volta das 17h — reportagem registra ausência de fiscalização de veículos no posto migratório brasileiro em Foz do Iguaçu.

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via Folha de São Paulo

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