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Osesp apresenta temporada 2027 organizada em nove festivais inspirados em Nietzsche

Osesp apresenta temporada 2027 organizada em nove festivais inspirados em Nietzsche

São Paulo — 29.out.2026. Por Sidney Molina.

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) revelou a programação da temporada 2027, estruturada em nove festivais temáticos concebidos a partir de imagens e frases de Assim Falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche. A direção musical e regência titular de Thierry Fischer orientou a escolha dos eixos conceituais, que serão desenvolvidos ao longo do ano em ciclos de três semanas.

Segundo a orquestra, a proposta volta a resgatar e aprofundar a ideia de temporadas temáticas introduzida em 2012, agora transformada em festivais que combinam repertório canônico, obras encomendadas e apresentações com direção cênica.

Os nove festivais e seus meses previstos são:

  • Nascido do Caos — março (abertura)
  • Ressurreições — abril
  • Dançar com o Mundo — maio
  • Triunfo — junho
  • Torna‑te quem És — julho
  • Paz — agosto
  • Sim à Vida — setembro
  • Memória — setembro/outubro
  • O Eterno Retorno — dezembro (fecho da temporada)

A abertura, em março, terá A Criação, de Haydn (4, 5 e 6 de março), regida por Fischer, com direção cênica de Gringo Cardia; o encerramento sucede em 16 a 18 de dezembro com O Messias, de Handel, também sob a regência de Fischer e direção cênica de Cardia. Essas duas programações funcionam como polos inicial e final do ano.

Na segunda semana de março a temporada apresenta a estreia de Mithra, encomenda da Osesp à compositora brasileira Juliana Ripke, seguida pela estreia da Sétima Sinfonia de Gustav Mahler. No final do ano haverá correspondências programáticas, com a Sinfonia nº 47 de Haydn, o poema sinfônico Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss, e a Oitava de Mahler (a chamada “Sinfonia dos Mil”).

Entre os destaques por mês e obra estão:

  • Abril: apresentação dirigida por Heinz Holliger; integral dos concertos para piano de Beethoven em três dias consecutivos com Kirill Gerstein como solista e regente, cada concerto precedido por Alma, encomenda à compositora Michele Agnes.
  • Maio: Sinfonia “Londres”, de Haydn, combinada com o Concerto para Piano nº 9, de Mozart, com Jan Lisiecki — o Artista em Residência —; participação da Cisne Negro Cia de Dança em Jeux (Debussy) e Bolero (Ravel).
  • Junho: presença de Arnold Schoenberg com a Sinfonia de Câmara nº 1; entre os programas do ano aparecem também Noite Transfigurada e Paz na Terra em agosto.
  • Julho: estreia mundial de Laroyê, encomenda a Marcos Balter, sob a regência de Vasily Petrenko.
  • Agosto: A pele da terra, encomenda a Paulo Chagas, com a participação do compositor; programas dedicados a temas de paz e reconciliação.

A temporada ocupará tanto a Sala São Paulo quanto a Motiva, sede dos recitais e dos concertos de câmara. Além das estreias e das encomendas, a programação traz um circuito internacional de regentes convidados, entre eles Oksana Lyniv, Aziz Shokhakimov, Marie Jacquot, Stéphane Denève, Tianyi Lu, Stephen Layton, Alexander Liebreich e Pierre Bleuse.

No elenco solista aparecem nomes como Kirill Gerstein, Jan Lisiecki (artista em residência), Jean‑Guihen Queyras (em concerto previsto para setembro), Nikolai Lugansky, Cristian Budu, André Mehmari, Bertrand Chamayou, o saxofonista Steven Banks e o barítono José Antonio López.

O calendário também manterá a série Osesp Duas e Trinta: sete concertos às sextas‑feiras, às 14h30, com ingresso único de R$ 50. Um dos programas dessa série, em setembro e regido por Fischer, reunirá Idílio de Siegfried (Wagner), o Concerto para Violoncelo de Elgar com Jean‑Guihen Queyras como solista, e a 2ª Sinfonia do brasileiro Camargo Guarnieri.

Outro momento de peso do ano será a apresentação da Paixão segundo São Mateus, de Bach, sob a direção do argentino Leonardo García‑Alarcón, prevista para setembro.

Ao todo a Osesp incluirá obras de 97 compositores na temporada 2027, entre eles 22 brasileiros —com 17 compositoras mulheres em destaque— e artistas vindos de 27 países.

Segundo Thierry Fischer, a escolha dos temas partiu de um trabalho conceitual que guiou a seleção de regentes, solistas e encomendas. A proposta visa criar uma narrativa sonora que conecte repertórios distintos e proponha novos diálogos entre música, cena e dança.

Serviço: programação completa da temporada 2027 estará disponível nos canais oficiais da Osesp; apresentações ocorrerão na Sala São Paulo e na Motiva ao longo do ano.

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via Folha de São Paulo

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