Brasília, 28/10/2026 — Por Josy Braga. Cena comum em Salvador: motoristas acionam o pisca-alerta, deixam o veículo bloqueando a entrada de garagens e se ausentam por poucos minutos, alegando que voltam em “um minutinho”. Esse tipo de comportamento, segundo especialistas, demonstra a relativização de normas em favor de interesses individuais e afeta a convivência urbana.
Para o sociólogo e professor da Ufba Samuel Gomes, a repetida justificativa do benefício pessoal rompe o pacto social que sustenta a vida em comunidade. Ele afirma que viver coletivamente exige acordos e respeito às regras para evitar conflitos e viabilizar cooperação; ainda não houve, segundo ele, a consolidação de uma visão mais coletivista que valorize a obediência às normas como base para uma sociedade melhor.
A problemática também pode ser analisada pela matemática. A Teoria dos Jogos estuda decisões individuais que impactam o grupo e ajuda a explicar por que atitudes egoístas no trânsito geram prejuízos amplificados. O professor e pesquisador Leonardo Nascimento exemplifica que é possível calcular o chamado “preço da anarquia”: a proporção de piora do sistema quando todos adotam comportamentos oportunistas. Segundo ele, se todos respeitassem as regras, haveria um ganho coletivo e maior organização nas cidades.
Especialistas ressaltam que ligar o pisca-alerta não transforma uma infração em permissão, nem justifica ocupar ou impedir o uso do espaço alheio. A superação da cultura do egoísmo na mobilidade urbana depende de respeito constante às normas e da compreensão de que o trânsito é um bem coletivo, projetado para atender a toda a população.

Edição: Rafael Guimarães
Dados da publicação: 28/10/2026 — 22:15. Local: Brasília.
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via Agencia Brasil










