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Deputado italiano pede esclarecimentos sobre como Flávio Bolsonaro e irmãos obtiveram cidadania

Deputado italiano pede esclarecimentos sobre como Flávio Bolsonaro e irmãos obtiveram cidadania

Milão, 28.out.2026 — O deputado italiano Angelo Bonelli protocolou nesta quarta-feira um pedido formal de explicações junto aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior sobre a forma e as datas em que o senador Flávio Bolsonaro e seus irmãos receberam a cidadania italiana.

No documento, Bonelli solicita informações precisas — incluindo datas de inscrição na lista de espera, de convocação, de entrega de documentos e a posição dos irmãos Bolsonaro em relação a outros requerentes — e questiona se houve tratamento preferencial na tramitação realizada pela representação italiana em Brasília. O parlamentar também quer saber se o governo pretende abrir uma investigação sobre o caso.

O uso do passaporte italiano por Flávio Bolsonaro para entrar na Argentina, etapa que integrou sua rota até os Estados Unidos, motivou a iniciativa do deputado e ganhou atenção na imprensa italiana. O episódio ocorre em meio ao debate sobre uma lei aprovada no ano passado que restringiu o acesso à cidadania para descendentes nascidos fora da Itália.

Segundo informações já divulgadas pelo governo da premiê Giorgia Meloni, Flávio e o irmão Eduardo teriam solicitado a inclusão na lista de espera para reconhecimento da cidadania em Brasília em 2020. Em 2022, nove dias após as eleições em que Jair Bolsonaro foi derrotado, ambos teriam comparecido à embaixada italiana para dar início à tramitação.

Em resposta a um pedido anterior de Bonelli relacionado à fuga da ex-deputada Carla Zambelli, a subsecretária do Interior, Wanda Ferro, afirmou que Flávio e Eduardo obtiveram a cidadania em 2023, enquanto o documento de Carlos foi liberado em 2024. Naquele momento, o ex-presidente Jair Bolsonaro não tinha a cidadania italiana.

Com a certificação da cidadania, é possível requerer documentos de identificação italianos, como o passaporte — item que, segundo Bonelli, foi utilizado por ao menos um dos envolvidos durante a fuga.

O deputado também lembrou que, devido ao elevado número de descendentes de italianos no Brasil, processos em consulados chegavam a levar cerca de dez anos para serem concluídos. “É preciso verificar se os filhos do ex-presidente Bolsonaro foram convocados respeitando a ordem cronológica da lista de espera ou se foram beneficiados por tratamento preferencial”, afirmou Bonelli no pedido.

Bonelli cita, ainda, que Flávio é alvo de investigações no Brasil e relaciona o caso à fuga de Zambelli, que também utilizou o passaporte italiano. Segundo ele, os episódios demonstram o risco de uso da cidadania italiana como meio de subtrair-se à justiça do país de origem.

No cenário político, Bonelli recorda que, entre os líderes da coalizão no governo italiano, o vice‑primeiro‑ministro Matteo Salvini mantém relações próximas com a família Bolsonaro e chegou a cumprimentar Flávio pelo desempenho em um primeiro turno. Em nota divulgada na segunda‑feira (26), a premiê Giorgia Meloni parabenizou o presidente Lula pela reeleição.

O pedido de esclarecimentos apresentado por Bonelli será respondido pelo governo no plenário da Câmara italiana; não há prazo público para a entrega das respostas.

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via Folha de São Paulo

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